terça-feira, 15 de julho de 2008

Vulcões, erupções e lagos cristalinos

Não existe algo menos previsível que a paixão. Por mais que dois amantes preestabeleçam que não haja nenhuma relação de afetividade. Se dois olhares se cruzam; se alguém sente o coração acelerar; se uma das pessoas sentir a mão suar; se a posse vier; a saudade surgir inoportuna... Não há dúvida. A paixão chegou. Por experiências que já passei, tenho constatado que não há fórmula, vacina, ou algo que eu conheça que torne qualquer pessoa imune.

Já os tratamentos utilizados para amenizar os sintomas posso falar com liberdade, mas nem tenho certeza de que não serão eficazes. Estou mais para quem já se apaixonou (e sujeito a conjugar tal verbo no futuro ou quem sabe no presente) do que um expert no assunto. Lá vai a receita que uso: Aproveito o embalo do sentimento e deixo o verbo assumir o controle. Escrevo como quem devora a alma e cospe no papel o sangue que lhe pussa no corpo. Por vezes parece sangue arterial, de tanta dor, tristeza e angústia que sinto. Outras são venosos, cheios de vida, de encantos e de bons momentos.

Este vômito sanguinário ao qual me refiro são meus poemas. Certa vez alguém me disse: "O que tu sentes é um vulcão que pode explodir a qualquer hora". E várias vezes explodiu. Derramaram-se lágrimas incadencentes que tornavam minhas noites calorosas. Acalmavam-se somente quando o sono vinha. Vive durante um tempo tais explosões. Buscava formas de amenizar os estragos. Só conseguia mesmo era uma luta contra mim. Foi então que resolvi deixar o fenômeno acontecer e resultou em expressões que assinam e registram meu momento naquele instante. Alguém poderia dizer que é meu eu-lírico. Eu diria mais. É meu eu-vulcânico.

Hoje tenho boas lembranças deste vulcão. Elas formam um lago cristalino. Assim será no caro leitor e a todos nós. Não se sabe bem a hora, nem o momento que surgirá de novo... uma erupção... um vulcão ou um lago cristalino.

(Com carinho a um grande amigo e um Paizão)

Jackson Viana