sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Cinerário

Quando tu pisas nesta chama,
que arde em meu peito e inflama,
não acabas com o furor de quem te ama.

Ao contrário!
Espalhas este amor pelo ar seco e trágico
que expiras do teu peito
e consome a vida ao teu redor.

Porque da semente que plantei no teu colo,
de lágrimas que derramei e dores que tive,
surgiram agora apenas campos secos.

Antes que a chuva me mate,
deixarei em ti cinzas e brasas,
pois ninguém pediu para pisares
nesta centelha que criou asas.

Os anjos de Belem

Este é um dos mais belos textos que já li. Quando o li pela primeira vez senti que podia ver aqueles passáros "mais próximos do céu". Pareciam anjos que seguiam sua estrada de nuvens por entre os prédios.


Deixo-os com a obra intitulada "Pássaros em Belém"


Que maravilha a existência!
Quão ínfimo e gigante é a vida!
Cheia de ritos e cantos
De flores e pássaros canoros
Que teimam em cantar
Que insistem em revoar
Que regurgitam e vivem e voam...
Que matraqueiam e gritam
Que teimam e insistem em colorir o mundo
Vencendo diariamente a gravidade
Estão no ar, mais próximo do céu
Mais próximo da criação
Que se adaptam aos homens
E seus corações
Esses seres que tocam a cidade
Cantam e enfeitam a floresta
As matas e os cerrados campeiros
Cheios de vida e louvor eterno
Ao Universo remido
Aos ouvidos humanos e seus tímpanos
As árvores gigantes e silenciosas
Onde constroem seus ninhos
Onde poetas buscam inspiração
Local onde as letras balanceiam
Ora feito bailarinas...
Ora feito fadas, sininhos e um anjinho
As vezes se apresentam em versos
Em rimas perfeitas, esguias
Que se encontram na praça
Cercada de uma revoada
Em Belém amada
A terra do Ver-O-Peso
Recanto do meu Brasil

Aluízio de Azevedo
08/07/2007

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Insaciável

Se hoje a noite chover
Não precisas ligar
Vou correndo atender
Sua vontade de me amar

Mas se não chover
Continuo assim, correndo
Para matar tua vontade de me amar.

Retrato de uma chuva

De baixo da chuva
Eu lavo a calçada
Eu corro como uma criança
Eu canto como os passáros
Eu jogo bola na lama

De baixo da chuva
Eu lavo a alma
Eu corro como um louco
Eu grito como um desesperado
Eu jogo teu retrato na lama

Jackson Viana

Estrada de dois sóis

Se quiseres ficar comigo
Me dê sua mão
E sinta a minha suar e tremer

Se quiseres andar comigo
Saibas que se fores partir
Leve de lembrança um pedaço de mim

Mas se ficares comigo
Ao calejarem teus pés
Te levaria nos meus braços
E te confortaria com meus beijos
E meu caminho não seria solitário
Teria dois sóis na minha vida
Um de dia e outro a noite