Já os tratamentos utilizados para amenizar os sintomas posso falar com liberdade, mas nem tenho certeza de que não serão eficazes. Estou mais para quem já se apaixonou (e sujeito a conjugar tal verbo no futuro ou quem sabe no presente) do que um expert no assunto. Lá vai a receita que uso: Aproveito o embalo do sentimento e deixo o verbo assumir o controle. Escrevo como quem devora a alma e cospe no papel o sangue que lhe pussa no corpo. Por vezes parece sangue arterial, de tanta dor, tristeza e angústia que sinto. Outras são venosos, cheios de vida, de encantos e de bons momentos.
Este vômito sanguinário ao qual me refiro são meus poemas. Certa vez alguém me disse: "O que tu sentes é um vulcão que pode explodir a qualquer hora". E várias vezes explodiu. Derramaram-se lágrimas incadencentes que tornavam minhas noites calorosas. Acalmavam-se somente quando o sono vinha. Vive durante um tempo tais explosões. Buscava formas de amenizar os estragos. Só conseguia mesmo era uma luta contra mim. Foi então que resolvi deixar o fenômeno acontecer e resultou em expressões que assinam e registram meu momento naquele instante. Alguém poderia dizer que é meu eu-lírico. Eu diria mais. É meu eu-vulcânico.
Hoje tenho boas lembranças deste vulcão. Elas formam um lago cristalino. Assim será no caro leitor e a todos nós. Não se sabe bem a hora, nem o momento que surgirá de novo... uma erupção... um vulcão ou um lago cristalino.(Com carinho a um grande amigo e um Paizão)
Jackson Viana
